Uma denúncia protocolada no Ministério Público de Sergipe (MPSE), sob a Representação nº 0060029, coloca o prefeito de Lagarto, Sérgio Reis, e o secretário municipal da Fazenda, Caique de Almeida Vasconcelos, no centro de uma possível trama de nepotismo cruzado, favorecimento pessoal, desvio de finalidade e dano ao erário.
Segundo o documento, a Prefeitura passou a pagar, desde abril, R$ 18 mil por mês pelo aluguel de um imóvel localizado às margens da Avenida Contorno, pertencente ao avô do secretário Caique, com a justificativa de que o espaço abrigaria a sede da Secretaria Municipal de Assistência Social (Sedest). No entanto, o imóvel nunca foi utilizado para essa finalidade.
A própria Sedest segue funcionando normalmente em outro endereço — na Praça do Forródromo —, onde de fato ocorre a prestação dos serviços públicos. Paradoxalmente, o aluguel deste local verdadeiro está com seis meses de atraso, conforme apuração.
Ou seja: enquanto a gestão municipal deixa de pagar pelo local onde a Secretaria realmente opera, opta por desembolsar mensalmente uma quantia vultosa para um imóvel inutilizado, pertencente a um parente direto de um dos principais membros do governo.
O trecho da denúncia destaca com clareza o conflito de interesses:
“O ponto nevrálgico da presente denúncia reside no fato de que o imóvel locado é de propriedade do avô do atual Secretário Municipal da Fazenda, Sr. CAÍQUE DE ALMEIDA VASCONCELOS […], indicando, em tese, a ocorrência de possível direcionamento contratual e favorecimento indevido de familiar.”
A representação também afirma que não há registro formal de declaração de parentesco nem indícios de que o secretário tenha se afastado do trâmite administrativo do contrato, como exigem os princípios da moralidade, da impessoalidade e da legalidade administrativa.
Somado a outras denúncias já reveladas pelo RegionalSE, o caso reforça a percepção de que a gestão Sérgio Reis opera sob uma lógica de favorecimento contínuo — uma estrutura que, cada vez mais, se assemelha a um balcão de negócios privados, onde o dinheiro público circula em benefício de familiares, aliados e interesses pessoais.





