Todo entusiasmado, o prefeito de Lagarto, Sérgio Reis, chegou à Unidade de Saúde 24h Padre Almeida, na Colônia Treze, alegando estar realizando uma fiscalização. A cena, registrada em tom midiático, pretendia passar uma imagem de zelo e preocupação com a saúde pública. O resultado, no entanto, foi o oposto: acabou expondo o caos generalizado da própria gestão.
Durante a visita, episódios que chamaram atenção rapidamente passaram a circular. Logo ao chegar à unidade, Sérgio demonstrou desconhecimento básico da estrutura do posto, ao não saber sequer onde funcionava a farmácia, um dos setores mais essenciais para o atendimento à população. A situação reforçou a percepção de distanciamento entre a gestão municipal e a realidade do sistema de saúde que ele mesmo administra.
Em outro momento constrangedor, o Reis não soube informar o nome de uma funcionária da unidade, profissional contratada pela própria prefeitura e remunerada com recursos públicos. O episódio evidenciou a falta de acompanhamento, proximidade e organização na condução da equipe que atua diretamente na ponta do serviço.
O momento mais sensível da visita ocorreu quando o prefeito questionou sobre a disponibilidade do medicamento citalopram, de uso contínuo no tratamento de transtornos mentais. A resposta da servidora foi direta: o remédio não estava disponível. Para agravar a situação, ela informou que o pedido havia sido feito no dia 12 de janeiro, indicando que o medicamento estaria em falta há mais de 20 dias na unidade. A fala espontânea não apenas desmontou a narrativa ensaiada da fiscalização, como constrangeu publicamente o prefeito, ao revelar uma falha concreta e prolongada no abastecimento da rede.
Nos bastidores da chamada raia miúda da política lagartense, a leitura é de que Sérgio Reis tem conhecimento real do que falta na saúde municipal. Circula a informação de que a visita teria sido utilizada para construir uma narrativa política, com o objetivo de transferir responsabilidades ao secretário municipal de Saúde, Marlysson Magalhães, criando um ambiente favorável a uma possível exoneração sob alegação de “justa causa”.
O contraste entre discurso e realidade salta aos olhos. O município de Lagarto já licenciou mais de R$ 8 milhões para aquisição de medicamentos, montante que, em tese, seria suficiente para garantir o abastecimento regular da rede de saúde. Ainda assim, remédios essenciais seguem em falta nas unidades, afetando diretamente a população que depende do sistema público.
Paralelamente, milhões de reais continuam sendo gastos mensalmente com empresas terceirizadas, enquanto famílias denunciam a escassez de profissionais de apoio para crianças com autismo, um problema recorrente, sensível e que permanece sem solução efetiva por parte da gestão municipal.
A visita que tentou se apresentar como fiscalização terminou funcionando como um retrato fiel da desorganização administrativa na saúde de Lagarto, expondo falhas, improviso e a distância entre o discurso oficial e a realidade enfrentada diariamente pela população.





