Nove meses após a grande repercussão sobre o valor do seu salário — um dos mais altos entre prefeitos do Brasil —, o prefeito de Nossa Senhora do Socorro (SE), Samuel Carvalho (Cidadania), continua recebendo R$ 44.008,52 mensais dos cofres públicos.
Na época, após a polêmica, Samuel afirmou que faria um “diagnóstico” sobre a remuneração e avaliaria uma possível redução. No entanto, até agora, nada mudou.
“Estamos fazendo esse diagnóstico. Esse salário foi aprovado na legislatura passada, na Câmara de Vereadores. [Por enquanto] continuaremos recebendo esse valor. Estamos trabalhando muito, inclusive, para fazer jus a esse salário. (…) Eu abri mão de carro oficial, de gasolina, vou viajar para Brasília sem direito a diária”, declarou o prefeito em entrevista anterior.
Além da promessa de redução do salário, o compromisso de não utilizar diárias também ficou apenas no discurso.
Consultas ao Portal da Transparência do município mostram diversos pagamentos de diárias em nome do prefeito Samuel Carvalho, contrariando a declaração feita por ele próprio de que viajaria sem receber esse tipo de benefício.
O valor recebido pelo gestor é superior ao salário do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que ganha cerca de R$ 38 mil, mesmo governando a maior cidade da América Latina.
A comparação reforça o descompasso entre o porte do município e o valor pago ao chefe do Executivo. Nossa Senhora do Socorro tem cerca de 200 mil habitantes e enfrenta desafios comuns a cidades médias, como falta de estrutura em áreas como saúde e transporte.
Vale lembrar que, em 2017, durante a gestão do ex-prefeito Padre Inaldo, o salário do gestor chegou a R$ 39,6 mil, mas o então prefeito decidiu reduzir o próprio vencimento em 35,7%, reconhecendo o impacto do valor nas contas públicas.
Com a promessa de revisão ainda sem resultados concretos — e o uso de diárias contrariando o discurso de economia —, o prefeito Samuel Carvalho segue entre os mais bem pagos do país, enquanto a população continua aguardando medidas efetivas que demonstrem compromisso real com a austeridade e a boa gestão dos recursos públicos.





