NAUFRÁGIO ADMINISTRATIVO EM LAGARTO
Enquanto vice-prefeita e secretários são “crucificados”, prefeito se contradiz em rádio e tenta culpar gestão anterior por imposto que ele mesmo admite ser necessário.
A gestão do prefeito Sérgio Reis em Lagarto faz água por todos os lados. Em menos de um ano, o que se vê é um governo em rota de colisão com a eficiência, marcado por um desmonte interno que já sacrificou a vice-prefeita e uma série de secretários no altar da ineficiência. A pergunta que ecoa na cidade é: se a crise é de resultados, por que a culpa é sempre dos outros?
Enquanto o navio afunda, o prefeito adota uma estratégia perigosa: criar uma cortina de fumaça para esconder o naufrágio. O alvo escolhido é a ex-prefeita Hilda, e a arma é uma mentira sobre a cobrança do IPTU nos povoados.
A gestão atual alega que Hilda firmou um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) para criar o imposto. A informação, no entanto, é comprovadamente falsa.
Documentos mostram que o único TAC assinado pela ex-prefeita com o Ministério Público foi para garantir o concurso público — aquele que a atual gestão parece não ter pressa em cumprir.
A verdade, que o prefeito tenta omitir, é que a cobrança do IPTU é uma obrigatoriedade antiga, exigida pelo Ministério Público (MP), com base em uma lei de 2013, sancionada durante o governo do ex-prefeito Lila, um notório aliado de Sérgio Reis. Ou seja, a exigência não é uma criação recente, mas uma pendência legal que o atual prefeito herdou de seu próprio grupo político.
O capítulo mais revelador desta trama veio da boca do próprio prefeito. Em uma recente entrevista a uma rádio local, Sérgio Reis confessou que, para realizar melhorias no município, precisaria aumentar a arrecadação do IPTU.
A contradição é gritante e expõe o jogo duplo. Para o público, ele cria uma vilã. Nos bastidores, ele admite a necessidade do imposto como parte de seu plano de governo. A prova definitiva de suas intenções é um contrato de mais de 5 milhões de reais, assinado por sua gestão, para que uma empresa organize e acelere exatamente a cobrança que ele joga no colo da oposição.
Com uma mão, ele admite a necessidade do imposto. Com a outra, assina um contrato milionário para implementá-lo, enquanto acusa sua antecessora.
A crise na prefeitura de Lagarto não é apenas sobre o IPTU. É sobre a falta de rumo, de realizações e, principalmente, de transparência. Ao exonerar sua vice e secretários, o prefeito tenta encontrar bodes expiatórios para uma crise que é de sua inteira responsabilidade.
A pergunta que fica no ar, e que a população de Lagarto começa a fazer, é inevitável: se a falta de resultados já custou o cargo de tantos, o prefeito, capitão deste navio que afunda, também assinaria a própria carta de exoneração por incompetência?





