Comparativo revela disparidade: Lagarto gasta o mesmo que Salvador no São João, mesmo com população 25 vezes menor e saúde em colapso

Em 2025, os municípios de Lagarto, e Salvador, capital da Bahia, investiram cifras semelhantes em seus festejos juninos: cerca de R$ 20 milhões. No entanto, o que à primeira vista poderia parecer uma celebração do mesmo porte, revela uma profunda discrepância quando se observa o contexto populacional, econômico e social de cada cidade.

Segundo os dados mais recentes do IBGE, Lagarto possui aproximadamente 105 mil habitantes, enquanto Salvador abriga mais de 2,6 milhões de pessoas, sendo a capital mais populosa do Nordeste. Isso significa que, proporcionalmente, o gasto de Lagarto por habitante é quase 25 vezes maior que o da capital baiana.

A decisão da Prefeitura de Lagarto em investir recursos milionários em festas chama ainda mais atenção quando se considera que, nos primeiros meses da gestão do prefeito Sérgio Reis, o município foi colocado em estado de emergência. À época, o decreto foi justificado por dificuldades financeiras e estruturais, o que deveria exigir austeridade e foco nos serviços essenciais. No entanto, desde então, a gestão tem acumulado gastos expressivos com contratações e eventos de grande porte, como o atual Festival da Mandioca, que já ultrapassa a casa dos R$ 20 milhões.

Enquanto isso, a saúde pública do município enfrenta um colapso silencioso. Dados do programa Previne Brasil, do Ministério da Saúde, revelam que Lagarto teve queda significativa nos indicadores da Atenção Básica, prejudicando o acompanhamento de gestantes, crianças, hipertensos e diabéticos. A cobertura vacinal também recuou, refletindo a fragilidade do sistema municipal.

A situação tem cobrado um preço alto. Na Colônia 13 e no Posto Padre Almeida, dois óbitos recentes foram registrados, escancarando a crise e aumentando a sensação de desespero entre os moradores que precisam do SUS.

A comparação entre Lagarto e Salvador não é apenas sobre números de shows ou estrelas contratadas. É sobre prioridades públicas, responsabilidade na gestão dos recursos e, principalmente, respeito à vida e às necessidades básicas da população.

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